A maioria das operações logísticas não falha por falta de esforço, mas por falta de controle logístico real. O início do ano costuma marcar um ponto de inflexão crítico: muitas empresas começam a operar em “modo reativo”, ajustando-se à medida que avançam, resolvendo urgências diárias e apagando incêndios.
No entanto, manter essa abordagem limita a eficiência, aumenta os custos e, o mais grave, coloca em risco o relacionamento com o cliente. Passar da reação para o controle não é apenas uma melhoria operacional: é uma mudança de mentalidade que transforma a logística em um facilitador estratégico do negócio.
Esse caos tem um preço. Dados de mercado indicam que 84% dos consumidores não voltariam a comprar uma marca após uma única experiência ruim de entrega. O modelo reativo, frequentemente justificado com frases como “sempre fizemos assim”, ignora que, quando o cliente reclama, o dano à fidelidade já está feito.
Os principais riscos da reatividade incluem:
O controle logístico implica passar de operar com suposições para operar com dados confiáveis e em tempo real. Não se trata de controlar por burocracia, mas de ter a capacidade de antecipar desvios antes que eles afetem a margem.
Considerando que a “última milha” pode representar até 53% do custo total do envio, ter controle sobre essa etapa não é opcional, é vital para a rentabilidade.
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Logística Reativa |
Logística com Controle |
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Incêndios diários são apagados. |
Antecipam e previnem falhas |
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Decisões baseadas na intuição ou no costume. |
Decisões baseadas em dados históricos e em tempo real. |
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Visibilidade fragmentada (chamadas, WhatsApp). |
Visibilidade centralizada de ponta a ponta. |
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O cliente solicita informações. |
O cliente é notificado de forma proativa. |
A transformação da operação não começa com a compra de software, mas com uma mudança de mentalidade. A mentalidade reativa busca resolver o problema imediato; a mentalidade de controle busca evitar que o problema ocorra.
Para alcançar estabilidade operacional este ano, os líderes logísticos devem:
Priorizar o planejamento: Padronizar processos para reduzir a variabilidade humana.
Confiar nos dados: Deixar de lado o “eu acredito” e adotar o “os dados mostram”.
Medir continuamente: Utilizar KPIs claros para detectar ineficiências (tempos de espera, quilômetros em vazio, devoluções).
Independentemente do setor, o controle logístico é o grande diferencial. Embora cada setor tenha seus próprios desafios (cadeia de frio, volumes massivos ou janelas horárias restritas), todos compartilham a necessidade de cumprir a promessa ao cliente de forma rentável.
Em operações complexas, o controle permite gerenciar múltiplas origens e destinos, coordenar frotas mistas (próprias e terceirizadas) e manter níveis de serviço consistentes, absorvendo a complexidade para que o cliente não a perceba.
Planejar bem o início do ano é fundamental, mas o verdadeiro valor está na execução contínua. Uma operação madura não espera pela reclamação; ela usa o controle logístico para antecipar, comunicar e corrigir.
Passar da reação para o controle é uma decisão estratégica. As empresas que conseguem essa mudança transformam sua logística em uma vantagem competitiva sustentável. Este é o momento de definir processos, estabelecer indicadores e construir uma operação baseada em dados.
Porque em logística, quem controla decide melhor; e quem decide melhor compete melhor.